2009 foi um ano ruim…
Simples e direto assim. Foi um ano ruim.
Foi um ano repleto de lágrimas e perdas. Onde os sentimentos eclodiram em um enorme “turbilhão-clichê” que demorou para acalmar.
Foi em 2009 que eu vi a pessoa mais importante da minha vida definhar .
Durante um pouco mais de 1 ano, minha mãe lutou contra um melanoma. Chegamos a comemorar a remissão da doença, apenas pra descobrir depois que era um alarme falso. Ainda me recordo da tristeza no rosto dela, quando o médico falou que o câncer não respondia mais a quimioterapia. Pouco tempo depois ela foi internada, a doença se espalhou; atingiu o cérebro e não era operável.
Sessões de radioterapia. Remédios. Visitas ao hospital. Remédios. Sair do hospital despedaçada. Beber por desespero. Remédios. Natal no hospital. Tristeza. Remédios. Cuidados paliativos. Remédios. Alta do hospital. Ano-novo em casa. Ela toda feliz por voltar pra casa. Ano-novo = esperança …
O que veio depois, foram dois meses difíceis: ela começou a negar tudo: uma hora negava a medicação, outra hora a comida, às vezes, as duas coisas. E aos poucos começou a reclamar de ter que ir ao hospital. Apesar de debilitada, continuava geniosa e não aceitava que alguém lhe falasse o que -supostamente - devia fazer, ou melhor, não aceitava o que as filhas falavam. Foi preciso paciência. E confesso que algumas vezes a perdi e cai em lágrimas, praticamente implorando pra ela tomar os remédios…
Até que um dia passei quase 24 horas ao lado dela no hospital. E tive que encarar a verdade quando a médica veio conversar comigo e no meio da frase disse, “caso terminal”. Era a primeira vez que alguém usava esse termo para falar da doença da minha mãe. Era a primeira e última vez…
Logo depois, ela se foi…
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Eu, minha irmã e meu pai tivemos o restante da família e amigos maravilhosos para nos apoiar. Minha diminuta família teve que reaprender a dialogar… e a ser família.
Já enfrentamos as datas importantes sem ela: o aniversário, dia das mães, natal e ano-novo. Datas melancólicas e repletas de lágrimas furtivas. O pior já passou, mas a saudade continua….
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